terça-feira, 26 de agosto de 2014

"Nossa alma incapaz e pequenina
Mais complacências que irrisão merece.
Se ninguém é tão bom quanto imagina,
Também não é tão mau como parece." (Mário Quintana) 
Emoticon wink
A idade não trouxe apenas alguns fios de cabelos brancos, mas também amadurecimento e congruência. Aprendi que todos os atos que praticamos, nocivos ou benéficos, e as palavras emitidas, construtivas ou destrutivas, atingem o objetivo e produzem ação reflexa, voltando ao ponto de partida. Assim, os atos praticados retornam, em ação retroativa, para completar o seu ciclo. Afirmava Jesus: “quem semeia ventos, colhe tempestades”. Na ação de retorno, o mal ou o bem voltam sempre, muitas vezes, com cargas revigoradas.
Há quem finja simpatias, salive azedumes, prolifere discursos deploráveis, mas MAIS medíocre é quem aplaude de pé, quem compactua, adiciona lenha à fogueira. Resta-me ter dó de pessoas assim, pois acredito na LEI DO RETORNO, de que todas as energias que desejamos voltam para nós e não raro com seu potencial de força aumentado.
Que toda negatividade seja afastada, pois só quero saber do que me faz feliz! Que permaneça a vibe de incontáveis risos e alegrias! Que eu não perca tempo com tolices e futilidades!

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Mas que dia é hoje afinal?

E por sorte amanhã é 24 e esqueço que hoje foi 23. O dia está terminando e recém lembrei de que o hoje é dia para se esquecer. E esqueço tudo porque já nem faz sentido. E nem fez. E nem mais fará. E assim minto como se pudesse enganar a mim mesma. E finjo que acreditei na minha mentira. E desejo dormir e esquecer e morrer. E amanhã acordar e não desejar mais nada. E fugir dessa desordem mental toda.


Mirele Machado




Mas, afinal, o que quero?

Não quero olhar para trás, lá na frente, e descobrir que desperdicei oportunidades por medo. Medo? Medo do novo, medo de ser feliz, medo de arriscar, medo de perder o que de fato nunca me pertenceu. Então, decidi chutar o balde, desconstruir os sonhos alcançados. Joguei aliança e chaves fora e fui ser livre.
Não foi fácil abandoná-lo, mas eu sentia que precisava fazê-lo. Fui sem saber direito por que estava indo. Sofri tipo bicho, chorei do despertar ao adormecer. Mas continuei de cabeça erguida como se não fizesse falta, como se não doesse, como se eu o não amasse. Troquei de número, de endereço, de amor (que nem amei, mas ousei chamá-lo amor). E da minha forma torta, vestindo um sorriso amarelo e dizendo não sentir nada, abrasei em outros lábios por aí. Em vão, em vão.
Eu quis tanto ser livre e agora a liberdade atordoa, aprisiona. Eu quis tanto seguir outro caminho e hoje o que resta é uma nostalgia que fere. Nunca saberei se o último dia daquele mês de julho foi meu reinício ou minha ruína. Só o que sei é que fui suficientemente corajosa para contrariar meus sentimentos. Ou seria mais uma vez o medo se apoderando e me fazendo fugir? Não sei, não sei. O não saber aborrece. 
E eu nem sei tudo o que quero. E quando consigo o que faço daquilo que quero? E o que faço quando vez ou outra consigo aquilo que quero e por conseguir  já não me serve mais? Como uma roupa que encolheu, os sonhos tão idealizados repentinamente perdem a serventia, já não me cabem mais. E o que cabe nesse meu desatino? Só sei que por hora quero que aquele rosto e todas as lembranças desvaneçam assim como a fumaça do cigarro que insisto em inalar.


Mirele Machado



sexta-feira, 30 de maio de 2014


Resgatando meus vagos conhecimentos semióticos e de análise discursiva para fazer o que já deveria ter feito: ler cada linha e quando julgar ter as respostas ler mais uma vez e outra e outra. Incansavelmente, interpretar. Não interpretar o signo isoladamente, apenas como elemento hermético, mas aplicado dentro do contexto dessas emoções todas vividas intensamente. Só que aí que eu piro: quando o significante ganha, além de seu significado, a competência de poder significar mais de um significado. 
Não, não estou bêbada. Louca? Talvez! E sim duvido que alguém entenda o grau de complexidade dos meus pensamentos. Estaria eu precisando de calmantes para não ouvir o eco da minha mente barulhenta? Possivelmente! Mas se eu voltar a tomá-los anestesio qualquer tipo de emoção que eu possa ter. Dessa vez, só dessa vez, permito-me sentir dor. Que dilacere, mas quero viver isso para saber que não estou morta como eu julgava estar.



Mirele Machado

sexta-feira, 23 de maio de 2014


“Eu disse a uma amiga:
— A vida sempre superexigiu de mim.
Ela disse:
— Mas lembre-se de que você também superexige da vida.
Sim.”

Reler Clarice Lispector e se enxergar em cada linha, sentindo as palavras perfurarem a alma. O desejo é lancinante, a saudade é aturdente, e a vontade? Ahhh, vontade é o que mais há. Mas já passei por isso e bem sei que intensidade de dor é essa que nos amofina. Enquanto o silêncio fere de morte meus tímpanos ponho-me a esperar. Mas não, não esperarei para sempre. Tenho pressa, nem sei do que, mas tenho pressa. Pode parecer loucura, em meio a tantas loucuras que tenho, mas sei que terei vida breve. Parece que essas coisas a gente nasce sabendo. 
Talvez porque no meu âmago eu saiba dessa brevidade toda é que sou tão intensa com as minhas emoções. Não perco tempo com o que ou quem não gosto, tampouco com quem não gosta de mim. "A louca": definem-me assim, muitas e muitas vezes. Mas tudo que faço na minha vida é com amor, fúria, alma, então, isso é ser demente? O que não posso é perder tempo sendo hipócrita, fingindo sentir coisas que não sinto ou omitindo o que sinto. Minha sensibilidade é exacerbada e não consigo escamotear essa infeliz realidade.
Sim, sinto saudade todos os dias, desde tão poucos dias. Minha racionalidade diz: ninguém se apaixona tão rápido, então, dorme que, amanhã, esse sentimento desaparece. Acordo e ele continua aqui, intacto. E eu não quero sentir isso, então o que faço? Faço nada! Eu fujo e enfio a cara nos meus livros e escrevo que nem "louca", estou quase me convencendo da minha insanidade. Mas hoje, só hoje, vou atravessar essa linha tênue amortizada pelo álcool. E acordar e desejar morrer.

Mirele Machado

domingo, 12 de janeiro de 2014

"- Por que você toma tanto calmante? perguntou ele sorrindo.
- Ah, disse ela com simplicidade, é assim: vamos dizer que uma pessoa estivesse gritando e então outra pessoa punha um travesseiro na boca da outra para não se ouvir o grito. Pois quando tomo calmante, eu não ouço meu grito, sei que estou gritando mas não ouço, é assim, disse ela ajeitando a saia."


Clarice Lispector em "A Maça no Escuro", Editora Rocco, p. 187

É por isso que tomo Fluoxetina e Alprazolam, ora para sufocar os gritos, ora para não escutá-los. Vez ou outra, anestesio às emoções com álcool e gargalhadas estridentes e gesticuladas. Não é fácil ser contraditória, ter uma mente barulhenta, estabelecer diálogos de fácil compreensão. Todos me chamam de "louca", mas antes louca do que em constante estado de conformidade.
Depois de eu ter convivido tão de perto com a doença e a morte da Tay repensei a minha vida. Chega de esconder o que eu sinto. Não vou mais esconder nada, pois sofro com isso. Não compactuo mais com um tipo de silêncio nocivo: o silêncio que tortura o outro, que confunde, o silêncio a fim de manter o poder num relacionamento. Basta de mentiras parciais e verdades pela metade.
Se eu sinto e daí? Cansei de ser incógnita só porque quando sou absolutamente sincera, a vulnerabilidade se instala. Quero uma vida intensa, plena, desafiadora. Quero cometer loucuras tantas, ir até o fim, sentir dor, se preciso for. Quero novos cortes e cores de cabelo, novas possibilidades e mudanças na trilha sonora. Quero viver!!!


Mirele Machado

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

"Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
… Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens…
Há mulheres que são maré em noites de tardes
e calma".
(Sophia de Mello Breyner Andresen)

Que eu me permita tantas outras loucuras, pois não sei viver histórias mornas.