Resgatando meus vagos conhecimentos semióticos e de análise discursiva para fazer o que já deveria ter feito: ler cada linha e quando julgar ter as respostas ler mais uma vez e outra e outra. Incansavelmente, interpretar. Não interpretar o signo isoladamente, apenas como elemento hermético, mas aplicado dentro do contexto dessas emoções todas vividas intensamente. Só que aí que eu piro: quando o significante ganha, além de seu significado, a competência de poder significar mais de um significado.
Não, não estou bêbada. Louca? Talvez! E sim duvido que alguém entenda o grau de complexidade dos meus pensamentos. Estaria eu precisando de calmantes para não ouvir o eco da minha mente barulhenta? Possivelmente! Mas se eu voltar a tomá-los anestesio qualquer tipo de emoção que eu possa ter. Dessa vez, só dessa vez, permito-me sentir dor. Que dilacere, mas quero viver isso para saber que não estou morta como eu julgava estar.
Mirele Machado