terça-feira, 17 de maio de 2016

E não é só da assimetria do sorriso que o moço fala: -"Monocova".
Ele acha lindo o pé 34 mais feio do mundo, mas não consegue pôr meus brincos na escrivaninha.
O moço tem uma forma estranha de dizer que me ama, diz que me ama no extremo da possessão enquanto vertem lágrimas.
Aos poucos, o moço me afasta do convívio social.
Diz que o sonho dele é me colocar numa redoma de vidro!
O moço é devoto a mim, diz que durará para sempre.
Quem decide do tempo é você e a morte, afirma!
E eu?
Eu vivo o hoje, o agora, o presente. Não é por mal, mas eu sou tão desligada.
Desculpa pelas vezes que esqueci nosso aniversário de namoro.
Ainda bem que comemoramos em datas diferentes, você 19 e eu 20.
Até porque ninguém mais desconfia da existência dos meus 3 tipos de hoje, quem dirá de todas as mil caretas que faço enquanto converso.
É, o moço tem razão, eu esqueço das datas; não das brigas.
As moças dizem que tenho sorte, mas é carma não conseguir me desvencilhar de um moço assim.
Sempre questiono os motivos dele não me abandonar, mesmo sabendo da minha loucura.
Ele responde que a vida dele era mais tranquila antes de mim, mas que nunca foi tão divertida e feliz.
-Amor, tu és tão caduca e é tão divertido conviver contigo!
-Estás me chamando de palhaça? Não permito que se divirta às minhas custas! Rummmm! - retruco às gargalhadas!
Desculpa por não conseguir proferir "eu te amo" no final das ligações, quando estou em público. Só consigo balbuciar um "eu também". Não sei se peço desculpas pelas ásperas palavras ditas, pelo silêncio teimoso, pela falta de insistência, pelo ciúme ao extremo, pelas brigas tolas. 
É... Eu não levo jeito com essas coisas do coração.
Moço, obrigada pelo drama, pelas lembranças e até pelas dores!

Desejo-te sorte, pois não há como eu desejar o mal para quem tentou (apesar de falhar) me fazer bem.

P.S: Sei que o tempo verbal está errado, mas não sei conjugar o verbo te amar no pretérito.

sábado, 7 de maio de 2016

O que espera que eu faça?



Será que te afetei ao contar que casarei novamente? Teu semblante inexpressivo nunca me permite interpretações. Disseste tanta coisa, deixaste margem para que a dúvida pairasse e tomasse conta de mim. Nunca retomaremos aquela conversa.
Não perguntes, nunca saberás; nem eu sei. Pensava ser indiferente. Mas, hoje, deu uma fisgada no peito, senti-me desnorteada. És lindo, mas tão carregado de preconceito. É só medo ou nos arrependemos das tolices escritas? 
Já passou, já foi, findou (espero eu). Nunca saberemos daquilo que poderia ter sido e não foi. É muito impedimento para pouco sentimento. 


Mirele Machado