“Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”.
Guimarães Rosa
Eu que não fumo, perdi as contas de quantos cigarros fumei e quantas vezes olhei a tela do celular procurando o nome, pensando em escrever uma mensagem qualquer. Visualizar o nome me fez perder toda a vontade, joguei o celular no chão. Chorei! Como se existisse uma sintonia, ele veio, não creio, é verdade, mas veio.
O que o trouxe até aqui? O álcool, o sentimento que não mencionamos existir, o prazer da minha carne convulsa? Não sei, não sei; e esse não saber me atordoa. Não o beijei, como se assim eu o amasse menos. A rejeição foi só o desespero da minha entrega. Um discurso ensaiado na mente, mas palavra alguma sai. Brasa ao primeiro toque e confissões tantas. Ahh... o amor, esse insano! Amor meu, só meu; que só o que recebo em troca é a volúpia da carne.
Não consigo ser de mais ninguém e não sou dele também. Gosto dele assim, não sabendo se vai fugir ou ficar. Leve, livre, cálida, inconstante e apaixonada, assim me vou viver o milésimo amor. Amar já prevendo o milésimo rompimento e as lágrimas tantas! Ai que tola!, e o beijei com fúria; tão macia a pressa, tão vagos amantes. E ao despertar, abraçá-lo até me sufocar na delícia que é o aconchego daqueles braços. Ainda dá tempo de encostar o queixo no ombro e dizer: -Te amo! Mas não digo.
Mirele Machado