Se algum dia ela sorrir para você, sei lá, em um bar desses em que ela gosta de tomar cerveja, sorria de volta, cara. Ela procura em você uma alma disposta e composta. Dessas feitas de muitas partes. De vários mistérios e diversos assuntos.
Não posso mentir; dizer que gosto de saber que ela está ali, na boemia da noite, disposta a receber outro cheiro marcante. Outro ‘oi’ insinuante. Que insinua uma mão na cintura. Que desperta o alerta daquela mulher tão cheia de paixão e que tem tanta temperatura na saliva. Se você é desses que sentem nojinho ao ler a palavra saliva, saia de perto dessa mulher. Ela gosta de língua, não tem medo de dizer.
Se algum vinho rolar em algum cantinho, olhe para o céu em seguida. Faça o brinde a ela, faça o mais intenso amor. Faça sem pronunciar ‘por favor’. Obrigue-a a sentir prazer. Conte uma história ao pé do ouvido. Deixe ela se envergonhar quando encostar seu quadril no dela pela primeira vez. Logo passa. Ela é dessas que fazem da provocação a casa e a moradia. Por um quadril bem agarrado, ela diz que já fez cada coisa. Já se meteu em cada uma.
Olha só, quando acontecer aquele encaixe – já de corpo suado – diga no ouvido dela que não vai parar. Diga que ela fica um espetáculo de quatro. Só para você saber: ela é um espetáculo de quatro. É outro nível de mulher. Sabe se virar e sabe rebolar. Rebola porque adora, não porque alguém disse que tinha que ser assim. Curte um tapa na bunda e curte a calcinha puxada para o lado. Ama ajoelhar e ter o cabelo agarrado quando a boca está cheia. Aliás, não sei o que fica mais cheia quando ela ajoelha pra chupar: a boca ou a cabeça – com um monte de pensamentos sujos. De gemidos por vir. De posições pra sentir. Sim, sentir. Ela gosta que o pau chegue no fundo da buceta. Ela disse nunca ter sido hipócrita: adora pau grande. Não que o pequeno não sirva, mas é que o grande não foi feito para servir, foi feito para ultrapassar. Ultrapassar os limites dela na cama.
Se essa mulher lhe pedir algo quando você estiver por cima, será para que a xingue. Faça isso. Sem dó. Pegue no queixo dela, dê seu melhor beijo, olhe no olho dela e diga: ‘Minha puta. Minha puta. Minha puta’. Ela pinga quando ouve isso. Já houve vezes em que puxou os lábios para o lado de forma tão intensa, parecia que iria machucar. Abria a buceta pra dizer: ‘Fode mais. Fode mais a sua puta’. Sim, agora você a tem como puta. Não peça licença, não peça nada. Só coma. Só foda. Só exploda dentro dessa que tem na própria história os motivos de não querer guardar prazer. Ela não guarda orgasmo. Explode todos eles nessa sociedade que ainda a recrimina por transar tanto quanto você.
Não consigo esconder: encosto em mim quando penso nela. Se dou a sorte de estar no banho ou na cama, imagino a mão dela dançando na minha pele. Me fazendo sentir tim-tim por tim-tim o prazer que ela tem dentro daquele corpo de baixa estatura e curvas deliciosas. Ela gosta de segurar no pau. Tem a mão, ok. Tem o vibrador, ok. Mas é do pau que ela gosta. Na mão, na boca, sendo esfregado naquele rosto lindo. Adora poder dividir a conta do jantar, mas sempre ser a sobremesa. Ser comida como se fosse o morango mais doce do mundo.
(...)
Mas tudo isso só irá acontecer se você sorrir de volta naquele dia em que ela estiver tomando cerveja com a alma disposta. Beeeem disposta.
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[fábio chap]