Sábado, fomos visitar NOSSA casa, toda bonitinha, toda enfeitadinha, toda "inha"... Enxerguei-me em cada detalhe e senti que as escolhas feitas ali eram muito mais minhas do que nossas (principalmente as borboletas da cozinha). Quando percebi que dentro de uns 15 dias a casa estará definitivamente pronta, um medo medonho invadiu todo o meu ser, pois eu ainda não tinha definitivamente escolhido ir ou ficar.
Senti-me soterrada pela poeira dos tantos desgostos e decepções que tive e então que me perguntei se tudo foi em vão. Eu o amo, bem sei. E tenho a certeza que o amarei para sempre, mesmo que um dias nossos sonhos naufraguem em incertezas, meu amor continuará aqui, intacto. Então, por falta de amor não será minha desistência, mas sim pelo excesso de mágoas que julguei perdoadas.
Sou tão feliz por vê-lo dormir, sentir sua respiração, compartilhar os meus dias, meus dilemas, meus devaneios, minhas alegrias e receber todo o apoio que preciso. Ai Deus, ele mudou tanto e sei que foi por mim, pelo amor que ele diz sentir, mas mesmo assim não consigo esquecer as humilhações, o desprezo, as possíveis traições. Todo o mal que causou invade meus pensamentos doentios, mesmo ele fazendo de tudo para reparar seus erros.
Mas de onde vem a dúvida, o medo de fixar raízes, de ter um cantinho para chamar de MEU, de NOSSO; de ter um lar, de ver a materialização dos nossos sonhos? É o medo de perder que sufoca minha felicidade, pois ainda não consegui perdoá-lo. Parece que o tempo não cura as minhas feridas, só as enche de pus. E com ele sinto como se todos os caminhos, todas as escolhas fossem incertas, pois o que esperar de um bipolar, possivelmente com transtornos de personalidade?
Ai de mim, amo tanto que nem sei.
P.S. Como continuar amando, morando e fazendo planos com alguém que faz com que eu me sinta pisando em ovos o tempo todo?
Mirele Machado
"E assim, repetindo os mesmos erros, dói em mim
Ver que toda essa procura não tem fim.
E o que é que eu procuro afinal?"
Lenine

