terça-feira, 18 de junho de 2013

Achei esse texto perdido nos meus rascunhos... É de novembro de 2011... Resolvi publicá-lo tal como estava para analisar as mudanças que o destino nos reserva...



Sábado, fomos visitar NOSSA casa, toda bonitinha, toda enfeitadinha, toda "inha"... Enxerguei-me em cada detalhe e senti que as escolhas feitas ali eram muito mais minhas do que nossas (principalmente as borboletas da cozinha). Quando percebi que dentro de uns 15 dias a casa estará definitivamente pronta, um medo medonho invadiu todo o meu ser, pois eu ainda não tinha definitivamente escolhido ir ou ficar.
Senti-me soterrada pela poeira dos tantos desgostos e decepções que tive e então que me perguntei se tudo foi em vão. Eu o amo, bem sei. E tenho a certeza que o amarei para sempre, mesmo que um dias nossos sonhos naufraguem em incertezas, meu amor continuará aqui, intacto. Então, por falta de amor não será minha desistência, mas sim pelo excesso de mágoas que julguei perdoadas.
Sou tão feliz por vê-lo dormir, sentir sua respiração, compartilhar os meus dias, meus dilemas, meus devaneios, minhas alegrias e receber todo o apoio que preciso. Ai Deus, ele mudou tanto e sei que foi por mim, pelo amor que ele diz sentir, mas mesmo assim não consigo esquecer as humilhações, o desprezo, as possíveis traições. Todo o mal que causou invade meus pensamentos doentios, mesmo ele fazendo de tudo para reparar seus erros.
Mas de onde vem a dúvida, o medo de fixar raízes, de ter um cantinho para chamar de MEU, de NOSSO; de ter um lar, de ver a materialização dos nossos sonhos? É o medo de perder que sufoca minha felicidade, pois ainda não consegui perdoá-lo. Parece que o tempo não cura as minhas feridas, só as enche de pus. E com ele sinto como se todos os caminhos, todas as escolhas fossem incertas, pois o que esperar de um bipolar, possivelmente com transtornos de personalidade? 
Ai de mim, amo tanto que nem sei. 

P.S. Como continuar amando, morando e fazendo planos com alguém que faz com que eu me sinta pisando em ovos o tempo todo?


Mirele Machado 


"E assim, repetindo os mesmos erros, dói em mim
Ver que toda essa procura não tem fim.
E o que é que eu procuro afinal?"
Lenine



Só o que sei é que nada sei...




Ainda me perguntam porquê eu prefiro ficar enclausurada no meu quarto com meus livros, minhas músicas, meus cigarros (esporádicos), meu Jack, minha palidez mórbida, do que conviver socialmente... A mediocridade e a falsidade do ser humano me cansam... Conversar com pessoas que só sabem falar de outras pessoas, que não tem nada a nos acrescentar? É de se pensar...

Ahhh... sem esquecer os falsos amigos, que se armam de uma hipocrisia muito conhecida, a inveja. Eles são tão teatrais, legais na sua presença e vilões na sua ausência... Mais que nada... Não desejo o mal a ninguém, pois acredito mesmo naquela historinha de que tudo que vai volta, que o mundo é redondo e não tem cantos p se esconder... E blá, blá, blá...
Sem hipocrisia recalcada, please... Vão ler um bom livro, ouvir uma música, assistir um filme, rir até doer a barriga... Estudar, estudar, estudar... E quando achar que sabe o bastante, estudar ainda mais, pois sábios são aqueles que reconhecem sua ignorância... Aprender que a felicidade está na simplicidade... É difícil, demorado, exige paciência, mas garanto no final é recompensador esbanjar um sorriso à toa... Também já fui fútil, muuuito fútil, mas hoje sei que o mundo não gira ao redor do meu umbigo... Deixem as máscaras caírem... A vida é muito curta para fingirmos um papel que não nos pertence...
Cai incontáveis vezes, de esfolar o coração todinho... E que bom que isso aconteceu, pois nas minhas quedas é que tive a oportunidade de conhecer os que sempre torceram pela minha felicidade... Que foram poucos, obviamente... Por esses e outros motivos estou me isolando (ainda mais) por uns tempos, saindo de cena, desocupando lugares... Limpando meu coração para que eu possa esbanjar mais e mais sorrisos, e mais e mais pensamentos positivos, e mais e mais alegrias aos que convivem comigo...

"Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre" - Rubem Alves.



Mirele Machado