segunda-feira, 20 de junho de 2016

O que fazer?

Às vezes, penso que nunca superarei esta saudade que sinto. Ainda dói como se tivesse sido ontem. E nisto sigo inventando desculpas para um não envolvimento, para um não romance.
Dia dos namorados saímos para jantar, fingi demência, ri, fiz-me desentendida da situação criada. Verdade, não sei o que fazer com os tantos corações colecionados. Exibi-los numa vitrine? Moço, por favor, não se apaixone! Avisei tantas vezes.
Ano passado, quase me entreguei. Por um momento, cogitei a hipótese de que pudesse me fazer bem. Mas, sabe, nunca entendi aquela coisa de dormirmos em quartos separados. Passado nosso final de semana em Porto Alegre, o qual amanhecemos juntos; pensei superado o trauma, fobia, ou seja lá o que for. Senti-me no filme 50 tons de cinza, porém sem chicote. Afastei-me, permiti o sumiço covarde.
Agora, voltas, com uma forma tão bonita de cuidar de mim: "envelopando-me" para dormir, acariciando meus cabelos até eu adormecer e amanhecendo ao meu lado. Diz que cuidar de mim é como cuidar dos seus filhos, porém eu sou extremamente mais teimosa.
Agosto se aproxima e meu provável casamento também, e com ele infinitas dúvidas, medos, dores, lágrimas. Essa sensação de perda de liberdade incomoda, fere, perturba. Desistir de véspera? Que caos sentimental é este que se instaurou? Moço, afasta-te, pois não sei como contar meus segredos.
Eu sei que tu não entendes como estou a um passo do altar sem estar apaixonada. O que diferencia meu futuro esposo dos demais é que ele me aceita impura, sem jurar amor eterno, sem fingir sentimentos, entende? Ele permite que meu coração seja um pouco teu também! Que outro amor na vida permitiria tal desatino? 
Guarde-me nas tuas mais lindas lembranças! Despeço-me sem drama, sem beijo na despedida, cortando o laço, desatando o nó, apagando os rastros. Obrigada, de coração, pela companhia, pelo carinho, pela dedicação. Carregarei-te em minhas preces, faço votos de que encontre alguém que saiba corresponder afeto. 

Mirele Machado





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