Cê aparece aqui às cinco da madrugada para perguntar se eu te amo. Desculpa amor, atônita deixo que adormeça em mim. Adormece em mim, mas não mora; porque eu não deixo não, viu? Ai de mim, que não canso de andar em círculos, pois sabemos bem que não chegaremos a lugar algum. Ou é o medo da chegada que me assusta?
Deita quietinho, mas não pergunta não. Esse sentimento não cabe no peito, explode em orgasmos múltiplos. Estrangulo esse sentimento em grunhidos sinceros. Ai moço, eu não sei amar não, viu? Adormece em meus braços e ao despertar esquece esse questionamento bobo. Vá que eu substitua o disfarce da gargalhada pela resposta que cê veio buscar.
Enquanto cê dorme eu penso em perguntar o que o faz voltar? Eu termino, cê termina, nós terminamos e isso são reticências. Cê diz que não preciso falar do que sinto, pois sente. Ai moço, cê quer me enlouquecer? Sussurro baixinho um despretensioso gosto de ti, adormecido só saberá em sonho. E quando amanhecer já não estarei deitada ao seu lado e cê esquecerá a pergunta e eu da resposta. Eis nossa obscena troca!
"Com você perto de mim, não tem papo
Eu quero a vida inteira assim, e não nego
Basta te encontrar, eu, você e o universo
Pra manter nosso clima assim tão direto".
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