quarta-feira, 30 de março de 2011

O que eu fiz dessa vez?

“Todo mundo é um pouco triste e um pouco só.”
Clarice Lispector

E o que foi até agora? E o que foi desde que pisei aqui pela primeira vez sem saber por que vinha? Mal-humorado como o Diabo, dormiu de costas sem sequer pronunciar boa noite, mesmo que em palavras sussurradas. Se não fosse por minha insistência nem mesmo teria me dado beijo de despedida hoje cedo. E a mensagem sem nenhuma palavra de afeto foi como tapa na cara. Esperei em vão por um "te amo" no final.
Tentei explicar, mas foi inútil. Bem sei, palavra pronunciada não volta atrás. Juro, foi sem querer. Jurar para quem, se ninguém me ouve? Estou cansando dessa tristeza e solidão que emergem do meu âmago a cada discussão. E não aceito ser triste nem só, se for assim me vou embora de uma vez. Tenho pressa, nem sei de quê, mas tenho pressa. E nessa pressa não existe lugar para o sofrimento.


Mirele Machado

quarta-feira, 23 de março de 2011

Simplesmente Clarice!!!

"Não pense que a pessoa tem tanta força assim a ponto de levar qualquer espécie de vida e continuar a mesma. Até cortar os defeitos pode ser perigoso - nunca se sabe qual o defeito que sustenta nosso edifício inteiro... Há certos momentos em que o primeiro dever a realizar é em relação a si mesmo. Quase quatro anos me transformaram muito. Do momento em que me resignei, perdi toda a vivacidade e todo interesse pelas coisas. Você já viu como um touro castrado se transforma em boi. Assim fiquei eu... para me adaptar ao que era inadaptável, para vencer minhas repulsas e meus sonhos, tive que cortar meus grilhões - cortei em mim a forma que poderia fazer mal aos outros e a mim. E com isso cortei também a minha força. Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma".

Clarice Lispector

sábado, 19 de março de 2011

O príncipe



Sabe aquele cara que você esperou a vida toda para encontrar, mas nem acredita que ele existe?
Aquele cara que quando olha nos teus olhos parece tocar a tua alma?
Aquele que te faz pensar ser a única e com isto te ajuda a se ajustar na tua própria pele?
Aquele que te deixa feliz somente pelo fato dele existir e que quando surge tem o poder de te resgatar das cinzas?
Aquele cara que te possui de uma forma dilacerante, assim como o sol faz com os pêssegos no outono, como o vento enfurecido que abre as janelas em dia de temporal?
Sabe aquele cara que aguenta a tua TPM, tua ressaca, teu péssimo humor e perdoa as tuas mancadas diárias, mesmo que perdão tu não peças?
Aquele que suporta as tuas loucuras, a tua hipocondria, teu ciúme ao extremo e enxuga as tuas lágrimas apesar de você nem merecer isto?
O tal cara não se assusta ou se afasta porque latas giram, arrastam-se, e teu pescoço estala e você perde o ar. Ele vigia o teu sono, mesmo sabendo que tem que trabalhar às 6h manhã...
Ele suporta corajosamente teus altos e baixos, tua ira, tua incapacidade de se adaptar ao mundo...
Ele te hipnotiza enquanto você o observa dormir...
E ele tem um jeito de te chamar de bocó, quando está bravo contigo, que te derrete invés de aborrecer...
E quando você foge ele te pega de volta. E é tão bom sentir aquelas mãos que te apertam sem oprimir...
E quando você chora ele segura pertinho e você pode apoiar o rosto no peito dele ouvindo as batidas do coração ecoando na mente...
Pois é...
Este cara existe...
E eu tenho a sorte de tê-lo como noivo.
A tentação é de fugir e me jogar no abismo, mas os braços dele me sustentam, confio neles e sei que ainda posso me salvar...

P.S. A Cinderela que não acredita em príncipes e contos de fadas o idealiza perfeito!!!

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Início de ano!!!




Ano novo, vida nova. Ao menos, assim espero. Esperanças renovadas, alguns sonhos desfeitos para dar lugar a outros tantos devaneios. Que esse ano não me venha com tantas desilusões, pois ainda carrego algumas mágoas do ano anterior. E mesmo eu estando radiante de felicidade pelas alianças colocadas no 1° dia do ano, bem sei que elas não significam que serei tratada com o respeito que julgo merecer. Elas não significarão nada se meu amor assim o decidir. Ele parece feliz também, mas como saber se o riso não é máscara? Ai de mim, amo tanto que nem sei.

Esse ano decidi: serei dona do meu nariz e quem pisar na bola que saia do meu caminho. Depois, de muito pensar, também decidi que não voltarei para a faculdade de Jornalismo, mesmo sabendo que só faltam 2 semestres para eu me formar. Vou cursar Química, mesmo sabendo que meu desejo maior é cursar Literatura. E, quero outro emprego, porque o atual está me deixando surtada. Ai Deus, ajude-me em minha trajetória, pois o caminho é árduo e sei que a vitória sorri somente aqueles que não param no meio do caminho.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A Perfeição!

O quanto seria surpreendente um ser humano voar? O quanto isso contraria as leis da física, da gravidade, da lógica? Para uma criança o pai dela poder voar na cozinha é tão normal quanto mexer no brinquedo novo que a tia deu. Para elas tudo é possível, tudo é novo, tudo é experiência.
Eu amo crianças. Acho-as muito verdadeiras. Só que, num belo dia, aparece um adulto e as corrompem a ponto de ensiná-las a mentir para conseguirem o que querem. É esse mesmo adulto que lhes explica que os seres humanos não podem voar.
As crianças não possuem pensamento materialista até que um adulto chegue perto e lhe diga: – Isso é seu! Quando olhamos nos olhos delas percebemos o quanto somos imbecis diante do olhar da inocência e, então, descobrimos o quanto nossos problemas são vazios diante de um olhar que preenche a alma.
Criança não te medo de falar: – Eu te amo! Criança não tem medo de pedir: – Me ensina? Criança não tem medo de perguntar: – Por quê? Pessoas que não gostam de crianças não sabem nada da vida, não tem amor nem paciência para ensinar. E para que ensinar? Nós estamos satisfeitos com o que aprendemos?
Crianças brincam, sujam-se, interagem. E nós, tão inteligentes, as corrompemos. Corrompemos com regras, leis que nem nós sabemos porquê cumprimos. Sabemos que elas têm que aprender acordar cedo porque um dia terão que acordar cedo para ir ao trabalho. Achamos que elas têm que estudar muito porque um dia terão que ser alguém na vida. Nós somos “alguém” na vida e, no entanto, nos perdemos no olhar de uma criança e percebemos algo que não podemos explicar. Algo perto da perfeição… mas que já estamos muito distantes para entender.